Insônia pensativa

Se tem algo de positivo na falta de sono é essa produtividade forçada de pensamento que ela traz. Na medida em que vão acabando as possibilidades de entreter-se com outras programações a gente vai se rendendo a esse exercício, cada vez mais raro em nosso cotidiano, que é afogar-se na errância de nossos pensamentos, revisitando memórias boas, ou nem tanto, reavaliando decisões acertadas e mancadas imperdoáveis, ou simplesmente se perdendo na delícia de nossas abstrações.

Na verdade, esse é um momento precioso para o autoconhecimento mas que eu percebo com tristeza que vem sendo muito desestimulado, quando não realmente rechaçado. “Você pensa muito”, as pessoas me dizem com frequência. Pois é. Eu penso. Muito.

É por pensar muito que percebo, por exemplo, a singeleza de detalhes preciosos em gestos, palavras, atitudes minhas ou de outras pessoas, ainda que tardiamente. E com isso consigo continuar me encantando com o mundo, de vez em quando. Pensando muito também me conscientizo, ainda que tardiamente, do equívoco na insistência de certas atitudes minhas que não me levam a nada além do retrocesso em que eu mesma já me submeto. E assim mudo de postura. Antes tarde do que nunca.

É pensando agora em como foi especial a madrugada de ontem, por exemplo (de novo), que eu percebo que o que separa uma mancada imperdoável de uma atitude certeira é o grau de consciência no qual você se encontra na hora em que toma uma decisão, pra um lado ou pro outro. No meu caso, pequenos prazeres me são tão caros e raros que não passam despercebidos. Uma noite entre bons amigos que me querem bem e que fazem questão da minha companhia, com conversas inteligentes e trilhas sonoras intermináveis, me fazem pensar muito mesmo. Sobre a importância de tomar a decisão certa na hora de dizer “sim, eu vou aí” e aceitar ser amada.

Não é pouco pra mim. É a delícia que uma insônia pensativa pode fazer comigo.

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Sobre como o Arctic Monkeys me conquistou

Uma experiência que eu costumo gostar quando escrevo em blog é escrever as ideias imediatamente do jeito que forem chegando sem mexer muito mais nelas. Exercita o pensamento rápido e tal…

Quando me proponho a escrever algo mais elaborado, eu passo um ou dois dias ruminando ideias enquanto dirijo, tomando banho, comendo e tal… fico procurando frases que sintetizem bem o que vai chegando.

Tudo isso pra dizer como chego ao Artic Monkeys. Não conheço essa banda, a não ser pelo que a gente acaba ouvindo em algum lugar por acaso. Nunca me chamou a atenção. Nunca parei pra ouvir nenhum outro disco deles.  Bom, não que eu me lembre. Sou esquecida pra caramba.

AM

Daí que resolvi baixar e comecei a ouvir o novo deles, intitulado AM, depois de ouvir muita gente, cuja opinião musical é relevante pra mim, elogiando. Estou ouvindo pela quarta ou quinta vez agora enquanto escrevo e continuo achando cada vez mais surpreendente.

Há um mix de estilos e sonoridades interessante… várias camadas sonoras que vão de sintetizadores, bateria eletronica, teclado meio anos 80, uns sons percussivos, um baixo meio funk/R&B, uma guitarra distorcida que mantém o pé da banda nessa descrição de som “alternativo” ou ‘indie” não sei… vocalizações.. e por cima de tudo esse vocal grave e cheio de personalidade que eu não sei descrever. Tem peso, mas tem uma ginga pop muito legal, uma levada dançante bacanérrima.

Não sei se isso é novidade ou se sempre foi característica deles. Pelo que li parece que a banda tem uma carreira já longa, mas os álbuns tem sonoridades bem distintas. Gostei. Tem inteligencia e diverte.

(Nota posterior: do jeito que tá aí parece que a banda não tem bateria, só eletronica. Mas tem… “levada dançante” e tal.)

(Nota posterior2: aliás, que tipo de e.t. sou eu que escrevo sobre arctic monkeys em 2013 como se o resto do povo todo já não conhecesse, né?)

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Rock in rio, no sofá da minha casa

Rock in Rio no Sofá da Má. De um encontro de amigos pra ver a transmissão da parada, saiu uma postagem bacana a quatro mãos que deixou F-E-L-I-Z.

Pra coroar meu retorno ao mundo dos blogs, já está no ar um outro texto meu e do meu amigo e ídolo, Adelvan Kenobi, o cara que mais saca de rock que eu já conheci, – e o amigo mais gente boa do mundo – em um post que a gente resolveu fazer a partir da nossa experiencia de assistir o Rock in Rio (nos dias que tinha rock) no sofá daqui de casa.

Ficou divertido. A ideia era compartilhar com os amigos as nossas impressões, nem sempre muito sérias, sobre tudo que ia passando na tv e como a gente ia reagindo do lado de cá. Com o foco principal no show que a gente mais esperava: o do Iron Maiden, claro.

O blog é do Programa de Rock, o melhor programa de rádio por essas bandas, conduzido pelo brother jedi, que vai ao ar todo sábado, das 19h às 21h pela emissora educativa do estado, Aperipe FM. Dá pra ouvir de boas pela web. Vale ficar ligado.

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A meus possíveis leitores

Feita uma primeira e tímida divulgação desse humilde retorno acho que agora já posso dizer: olá.

Não sei exatamente se é um prazer estar de volta com esse blog, agora numa plataforma bem mais interessante, que me faz sentir fazendo algo mais maduro.

Depois de tudo que passei desde que abandonei o outro “muitomá” pra cá, e não foi pouca coisa – não foi mesmo – resolver retomar um blog que sempre teve uma proposta  tão pessoal, tão visceral quase, sem compromisso com temas, nem com estética, muito menos com técnica, longe de academicismos, mas sim um espaço de vazão das angústias existenciais que – hoje eu sei – eram muito mais que impulsos criativos ou meros rompantes de indignação com o mundo… enfim, depois de tudo isso, encarar retomar esse blog é um desafio do qual eu mal estou certa de que darei conta.

Mas é sempre assim que a gente encara desafios, ao que me parece. Pelo menos, eu não acredito em gente que se diz muito segura de si. Quero distância de gente muito sorridente e feliz. Mais certo ter medo e ir em frente assim mesmo. Mais certo não quer dizer mais fácil, ok?

Muitas ideias e muitas incertezas aqui. O nome do blog é uma brincadeira com a primeira sílaba do meu nome, Maíra, e com o fato de que, quem me conhece sabe, eu tenho essa personalidade difícil, angustiada e terrivelmente sincera. Sou má sem querer, às vezes. Outras vezes não perdoo mesmo. Pago o preço por isso. E é salgado. Beem salgado.

Bem-vindos a esse tsunami salgado de Má-ira. Espero que valha a pena pra quem decidir mergulhar comigo.

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Quei-má

enquanto a realidade me afoga em dissabores,
lampejos de subjetividade reluzentes quase reconectam minha criatividade metafísica.

mas são só faíscas…

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Changes

Tomando uma decisão que talvez me ajude a re-recomeçar. Vamos ver.

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